Reconhecimento!

Ultimamente tenho ouvido falar muito sobre reconhecimento.

O que viria a ser esse nome?

“ação ou efeito de averiguar; exame, verificação”

Interessante que esse tema pode nos atravessar desde questões profissionais, familiares, interpessoais, etc. A palavra nos remete a uma posição em que somos de novo conhecidos, identificados pelo que fazemos, apontados. Existe em torno do nome a expectativa que pode nos levar a uma ascensão profissional, uma possível promoção, uma marca, um lugar, mas para além de tudo um olhar do outro frente ao que sou ou produzo.

Por algumas vezes a esperada visibilidade nunca chega e sentimentos como o ressentimento, a mágoa, reclamações e insatisfações passam a ocupar o lugar da relação e estruturar a queixa de quem quer alçar a admiração do outro. Passei a observar que em alguns desses casos existe certa passividade e expectativa da parte de quem aguarda o reconhecimento sem um possível movimento de atuação nesse processo. Geralmente esses discursos vem num tom em que quem quer ser reconhecido espera o movimento do outro em direção a ele, não necessariamente o contrário. O lugar desse sujeito, seja no português mais gramatical, na vida real é passivo.

“Fiz e esperava que ela fosse ver”.

“Trabalhei horrores e esperava que meu chefe me visse”.

“Meus pais nunca me veem

Esperava que ela fosse ver, mas também poderia ter mostrado? Seria possível comentar sobre o trabalho feito? É possível dialogar com meus pais sobre coisas das quais eles nem sempre estão atentos? O lugar da espera e da vinda do retorno do outro muita das vezes pode nos deixar numa posição congelada e passiva em que deixamos de ver nossa parcela de atuação na construção desse reconhecimento. Nos furtamos de certa maneira em expor o que produzimos, o que pensamos e essa falta de protagonismo pode nos levar a uma dimensão invisível em que queremos ser vistos sem precisarmos aparecer.

Pensar no tema do reconhecimento a partir dessa dialética, meu lugar/lugar do outro nos responsabiliza sobre o que nos cabe e desaliena a “culpa” que vai ficando alojada nesse outro.

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